Jornal
/ Dez
2020

Encontre-se com Daphné Bugey,
a criadora do perfume Soenga.

A viver em Lisboa, Daphné Bugey é uma perfumista independente, e consultora de perfumes para a Firmenich, cujo laboratório se situa em Paris. Após começar a sua carreira em

cuidados do corpo, especializou-se em perfumaria fina, algo ainda conhecido como “perfumaria à base de álcool”.

 

Daphné cria fragrâncias tanto para grandes nomes internacionais (Dolce & Gabanna, Kenzo, Jean-Paul Gaultier ou Hugo Boss), como para marcas de nicho (Le Labo, L’Artisan Parfumeur ou Penhaligon’s).

 

Qual é exatamente o seu papel na coleção Barro Negro?

 

Como parte integrante desta primeira coleção, o Noé desenvolveu uma série de objetos de cerâmica negra, incluindo um difusor de perfume. Criei a fragrância “Soenga” com o propósito de ser utilizada com este objeto. É uma fragrância pura, à base de óleo.

 

O que despertou o seu interesse nesta colaboração?

 

Pessoalmente, estou feliz e grata por poder viver em Portugal. Por isso, a conexão com o conceito do projeto MADE IN SITU foi imediata. A ideia de colaborar com artesãos Portugueses é uma maneira fantástica de nos aproximarmos da cultura do país. Foi esta aventura humana que captou em especial a minha atenção; estava interessada em trabalhar com o Noé, com a sua equipa, com os artesãos.

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/ Out
2020

Xana e Carlos sobre
a coleção Barro Negro

Xana Monteiro e Carlos Lima são um duo de ceramistas portugueses, em Molelos, Tondela. Há mais de três décadas que têm desenvolvido um extenso trabalho em cerâmica negra, respeitando as tradições da olaria mas também abertos a novos desafios criativos. Divulgadores desta Arte, são verdadeiros mestres em Barro Negro e têm desempenhado uma importante e inovadora prática artística em Bienais nacionais e internacionais.

 

O que vos levou a aceitar fazer uma colaboração com o Noé, um designer francês ?


O que nos levou a aceitar esta colaboração com o Noé foi o facto de termos gostado muito do seu trabalho estético, já desenvolvido anteriormente. Para além disso, o facto de ele ter conseguido adaptar as suas ideias ao nosso método de trabalho, resultando num longo processo de conversas, de encontros para concretizar as peças desta coleção.

 

Qual foi o vosso papel na coleção Barro Negro?


Somos artesãos, executámos cada peça desta coleção manualmente, com base nos designs do Noé. Alguns conjuntos de peças foram de co-criação, resultado dos nossos encontros no atelier com o Noé, através de conversas em desenho, maquetes em barro feitas no momento por nós e pelo Noé, colocando as ‘mãos na massa’, permitindo que as ideias e conceitos iniciais se transformassem em algo novo, fruto daquele momento específico.

 

Outras peças foram adaptadas à viabilidade técnica onde tentamos encontrar soluções juntos e alterar certos pormenores nas formas, texturas e proporções de acordo com as técnicas de produção de barro com que trabalhamos e com a própria cozedura das peças.

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/ Set
2020

Barro Negro - Uma colecção que une a materialidade aos sentidos, à terra e ao fogo, à comida, ao cheiro, ao toque e à luz.

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/ Set
2020

8 Questões a
Noé Duchaufour-Lawrance

Porquê deixar a França e escolher Portugal?

Escolher um novo país significa sair da nossa zona de conforto, olhando e depreendendo as coisas de uma maneira diferente. Eu cresci na Bretanha, em França, estava a viver em Paris e à procura de um sítio para respirar e olhar para o horizonte, era uma altura na minha vida em que precisava realmente da sensação de espaço e de um sítio com um espírito de génese. Estes pontos são necessários e inspiradores para o meu trabalho. Em Portugal, o posicionamento geográfico oferece-nos esta oportunidade, o oceano e a terra.

 

Trabalhei muito na minha vida, tendo um carinho especial pelo meu tempo passado com artesãos. Também acho a indústria fascinante, todo o processo que envolve humanos. Eu queria encontrar um sítio onde o design fosse parte da produção.

 

Portugal é um país em mudança – parece que neste momento está em transição, assente na herança mas encontrando-se em movimento, e esta dinâmica é uma das suas vantagens. Sinto que é o único país que volta sempre a si mesmo. Ancorou-se por necessidade em certas tradições, e este elo forte ainda pode ser sentido aqui. O país mantém-se agarrado a uma certa forma de “simplicidade” que, na minha opinião, é essencial. Escolher Portugal é seguir uma nova abordagem – ficar fisicamente próximo do trabalho dos artesãos, nas suas oficinas.

 

É cativante ser um estrangeiro num novo país, é algo novo e revigorante. A base deste projeto reside na sensação, nos momentos de entusiasmo ao longo dessas explorações, como no início de uma história de amor.

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